Em dois dias de encontro no Rio de Janeiro, a Rede aproximou empresas de realidades sociais concretas, trocou recomendações para qualificar o voluntariado empresarial, lançou uma ferramenta de planejamento construída coletivamente e renovou suas instâncias de governança.
O voluntariado empresarial no Brasil atravessa um momento de amadurecimento. Mobilizar pessoas já não é suficiente: cresce entre as empresas a busca por iniciativas conectadas às necessidades reais dos territórios, aos objetivos institucionais e ao desenvolvimento de quem participa. Esse foi o fio condutor da 3ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) do Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), realizada nos dias 29 e 30 de setembro, na Petrobras, no Rio de Janeiro, com representantes das empresas associadas.
Conhecer o território como ponto de partida
O primeiro dia partiu de uma premissa: não há voluntariado estratégico sem compreensão das realidades em que ele se insere. As empresas foram a campo conhecer organizações apoiadas pelo Programa de Voluntariado da Petrobras que atuam com pessoas em situação de rua, a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) e o SEFRAS (Ação Social Franciscana), onde participaram de uma roda de conversa sobre atuação institucional com essa população. A apresentação do Coral RéP (Recomeçar é Possível), iniciativa da People’s Palace Project (PPP do Brasil) e do Instituto LAR formada por pessoas em situação de rua, completou a experiência. As trocas levaram para uma inversão de lógica fundamental: ao invés de partirem de “O que empresas podem oferecer?”, a pergunta inicial para a construção de um voluntariado efetivo deve ser: “o que os territórios demandam”, reconhecendo as pessoas atendidas como protagonistas, produtoras de cultura e capazes de construir novas trajetórias.
Da experiência acumulada ao conhecimento compartilhado
O segundo dia voltou-se às agendas institucionais da Rede. Fábio Muller, diretor executivo do CIEDS, organização que exerce a Secretaria Executiva do CBVE, apresentou os resultados da agenda de alinhamento conceitual, com recomendações para um voluntariado empresarial que articule práticas, objetivos institucionais, impacto social e desenvolvimento das pessoas.
Dessas recomendações nasceu o Em Rede, baralho para planejamento do voluntariado empresarial lançado durante a Assembleia. Desenvolvida pelo CIEDS a partir das experiências e aprendizados construídos coletivamente pelas empresas associadas, a ferramenta expressa uma das vocações centrais do CBVE: converter o conhecimento produzido pela Rede em recursos de uso público. Cada empresa participante recebeu um exemplar, e o baralho está disponível gratuitamente para outras organizações interessadas. Clique para fazer o download.
Caminhos diferentes, desafios comuns
O painel “Rede em Movimento: Práticas que inspiram, conectam e transformam”, mediado por Taiana Jung, reuniu representantes Petrobras, Instituto Votorantim e Instituto Lojas Renner. Mais do que a diversidade de modelos de voluntariado empresarial apresentados, chamou atenção a convergência dos desafios: mensurar resultados e o desenvolvimento das pessoas, engajar lideranças, sustentar a participação dos voluntários e equilibrar diretrizes comuns com autonomia territorial. Não existe um modelo único de voluntariado empresarial, mas existe uma agenda compartilhada, e é justamente nela que a aprendizagem coletiva ganha valor estratégico.
Governança como corresponsabilidade
A AGO também renovou as instâncias de governança do Conselho. Para o Comitê Gestor, foram eleitas CIBRA e Gerdau, esta segunda reeleita para mais um ciclo. Para o grupo de Porta-Vozes, Braskem e Instituto Lojas Renner ocupam as duas vagas disponíveis, com a continuidade da Braskem, agora representada por Roberta Manzini. Os processos reafirmam que a força da Rede depende da participação ativa das associadas nas decisões, na representatividade e na mobilização coletiva.
Uma Rede que aprende e transforma
Território, conhecimento e governança: os três movimentos da 3ª AGO revelam o papel que o CBVE vem consolidando como espaço de articulação e produção de conhecimento sobre voluntariado empresarial no Brasil. Quando as empresas se aproximam das realidades sociais, reconhecem desafios comuns e transformam aprendizados em ferramentas, o voluntariado deixa de ser uma ação pontual e passa a integrar, de fato, a estratégia de impacto social das organizações.
Sobre a AGO
A Assembleia Geral Ordinária (AGO) é um dos principais espaços de governança e alinhamento estratégico do CBVE. Mais do que um encontro formal, é uma oportunidade para as empresas associadas acompanharem a prestação de contas, avaliarem os resultados das iniciativas, compartilharem experiências, debaterem tendências do voluntariado empresarial e construírem, em conjunto, os próximos passos da rede.
Ao longo do ano os encontros são realizados em quatro edições: duas em formato híbrido e duas online, ampliando as possibilidades de participação e fortalecendo a conexão entre as empresas associadas de diferentes regiões do país.
A data da próxima edição de 2026 já está marcada! No dia 26 de novembro, a 4ª AGO acontecerá em formato 100% online, encerrando o ciclo de encontros do ano e abrindo espaço para avaliar os avanços alcançados e alinhar as prioridades para 2027.