Há uma diferença fundamental entre empresas que fazem o bem e empresas que são o bem. A distinção pode parecer sutil, mas ela define tudo, a cultura, as decisões, o tipo de legado que se constrói ao longo do tempo. Para uma organização com 188 anos de história como a Wilson Sons, essa diferença não é apenas filosófica: é estratégica.
Quando olho para o voluntariado, não consigo vê-lo como uma ação pontual ou uma campanha de fim de ano. Dados do Censo Brasileiro de Voluntariado Empresarial mostram que o engajamento social no País saltou de 18% para 56% nas últimas duas décadas, e que cerca de 15% dos voluntários ativos hoje atuam por meio de programas organizados por empresas. Isso nos mostra que o ambiente corporativo se tornou um dos ecossistemas mais férteis para a transformação social.
Para nós, voluntariado é valor, e valores não têm data de validade. Essa convicção, que poderia soar como retórica corporativa, encontra respaldo em estrutura, investimento e prática, o que transforma discurso em resultado concreto.
O Programa de Voluntariado Wilson Sons está integrado à nossa estratégia de sustentabilidade e opera a partir de dois eixos complementares: Ações de Impacto, com campanhas e atividades práticas de suporte socioambiental, e Conhecimento, que mobiliza o capital intelectual da empresa para a transferência de saber técnico e o compartilhamento de experiências profissionais.
É nesse segundo eixo que reside uma das iniciativas que mais me orgulha. No Voluntariado do Conhecimento, nossos colaboradores colocam à disposição da comunidade aquilo que têm de mais valioso: o que sabem. Uma analista que ensina gestão financeira para jovens de todo o Brasil, um engenheiro que orienta jovens em situação de vulnerabilidade sobre carreiras em tecnologia, um profissional de RH que prepara uma turma para se destacar no mercado de trabalho.
Mais que uma entrega para a sociedade, essa troca atua diretamente no desenvolvimento das chamadas soft skills das nossas equipes, como liderança empática, comunicação assertiva e inteligência emocional. O princípio é simples e poderoso: conhecimento compartilhado com propósito tem um efeito multiplicador que nenhum recurso financeiro, isoladamente, consegue replicar.
Foi esse entendimento que nos levou a formalizar nosso compromisso por meio do Selo de Voluntariado, um marco que vai além do reconhecimento simbólico. O selo representa a incorporação do voluntariado à nossa identidade organizacional: incentivado com estrutura, tempo reservado e intenção declarada. Não é um troféu de vitrine. É uma declaração de cultura.
A pergunta que ainda surge em muitas organizações, "o que a empresa ganha com isso?", tem, para mim, uma resposta direta: ganhamos profissionais mais engajados e empáticos. Ganhamos uma cultura onde o cuidado com o outro não é exceção, é norma.
Citando novamente o Censo, temos a indicação de que para 92% das grandes companhias, o maior ganho desse investimento é o fortalecimento do propósito e da identidade corporativa. Ganhamos uma reputação que nenhuma campanha publicitária constrói sozinha. E, acima de tudo, contribuímos para uma sociedade mais justa e mais conectada.
Quando ajudamos alguém a crescer fora daqui, esse crescimento retorna de formas que nem sempre conseguimos mensurar, mas que certamente sentimos.
O Selo de Voluntariado e o Voluntariado do Conhecimento não são um ponto de chegada. São, como toda iniciativa sustentada por valores reais, um processo contínuo de aprofundamento. Uma jornada que não termina, porque empresas, assim como pessoas, se revelam não pelo que declaram, mas pelo que escolhem fazer, dia após dia.
Artigo escrito por: Aléa Fiszpan, diretora de Recursos Humanos e Comunicação da Wilson Sons.